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Apenas um Trecho #19

“Antes que eu pudesse dizer qualquer palavra, seus olhos se voltaram para a vista e ela começou a falar:

– Eis o que não é bonito em tudo isso: daqui não se vê a poeira ou a tinta rachando ou sei lá o quê, mas dá para ver o que este lugar é de verdade. Dá para ver o quanto é falso. Não é nem consistente o suficiente para ser feito de plástico. É uma cidade de papel. Quer dizer, olhe só para ela, Q: olhe para todas aquelas ruas sem saída, aquelas ruas que dão a volta em si mesmas, todas aquelas casas construídas para viverem abaixo. Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas. Todas as crianças de papel bebendo a cerveja que algum vagabundo comprou para elas na loja de papel da esquina. Todos idiotizados com a obsessão por possuir coisas. Todas as coisas finas e frágeis como papel.  E todas as pessoas também. Vivi aqui durante 18 anos e nunca encontrei ninguém que se importasse realmente com qualquer coisa”.

Cidades de Papel
John Green

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Apenas um Trecho #18

“Bailey era tão pequena que sobrava espaço para Tibby sentar na cama, junto dela. Seus olhos permaneceram fechados. Tibby levou a mão de Bailey ao peito e a segurou aí. Quando as próprias pálpebras começaram a se fechar, recostou-se com muito cuidado e descansou a cabeça no travesseiro da amiga. Sentiu o cabelo da Bailey roçar de leve seu rosto. Dos seus olhos caíram lágrimas enviesadas pela orelha e no cabelo da paciente. Desejou que aquilo não criasse problemas.

Ficaria ali para sempre segurando a mão de Bailey, para ela não sentir medo de não haver tempo suficiente”.

A Irmandade das Calças Viajantes
Ann Brashares

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Apenas um Trecho #17

“— Está se sentindo bem? — Olhei para a cadeira dele, com medo de estar esmagado ou preso em alguma parte, ou de eu ter feito alguma coisa errada.

 — Estou ótimo. É que…

Podia ver o colarinho claro da camisa em contraste com o terno escuro.

— Não quero entrar agora. Quero ficar sentado aqui e pensar que… — Engoliu em seco. Mesmo no escuro, pareceu fazer esforço.

 — Quero… ser apenas um homem que foi a um concerto com uma garota de vestido vermelho. Só por mais alguns minutos.

Larguei a maçaneta da porta.

— Claro.

Fechei os olhos, apoiei a cabeça no encosto da cadeira e ficamos ali mais um pouco, duas pessoas perdidas nas lembranças sonoras, meio ocultas à sombra de um castelo numa colina iluminada pela lua”.

Como eu era antes de você
Jojo Moyes

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