Arquivo | novembro 2016

A Casa do Céu, de Amanda Lindhout e Sara Corbett

Olá, Pessoal!

Aproveitando aí o feriado? Por aqui sim, inclusive para fazer um post hehe

Há alguns dias terminei a leitura do livro “A casa do céu”, de Amanda Lindhout e Sara Corbett. Esse livro chegou em minhas mãos gentilmente por uma amiga que está se desapegando de seus livros e achou que eu gostaria desse. E ela não poderia estar mais certa!

O livro trata de 3 temas que curto bastante: viagens; diferentes culturas; superação. Ele é autobiográfico, escrito em 1ª pessoa, o que também curto.

Neste livro, conhecemos a história de Amanda Lindhout. Mas antes de chegarmos ao fato principal do livro, vamos voltar um pouquinho para trás, ok?

Viagens e Diferentes Culturas
Amanda nasceu numa cidadezinha do Canadá. Quando criança, sua mãe se casou novamente. E logo ela se viu crescendo numa família conturbada, vendo sua mãe sofrendo violência doméstica. Seu escape era folhear revistas da National Geographic e sonhar em estar nesses lindos lugares.

“Eu não conseguia entender aquilo. Nunca conseguiria. Simplesmente tentava ignorar a situação. Quando as luzes estavam apagadas e todos os corpos estavam deitados, eu desaparecia, voava para longe. Minha mente saía de debaixo dos lençóis, corria pelas escadas e ia para longe, para os desertos de seda e águas marinhas espumantes […]. Tinha certeza de que o meu mundo ficava em outro lugar.”

Quando chegou aos 19 anos, começou a trabalhar como garçonete e ganhar muita grana em gorjetas. E então, ela não teve dúvidas! Começou a viajar pelo mundo, como mochileira. Uau!!! Na primeira parte do livro, para quem curte viajar e conhecer diferentes culturas, não tem erro. Ficamos maravilhados e com muita vontade de colocar o pé na estrada.

Em uma dessas viagens, quando está na Etiópia, Amanda conhece Nigel Brennan, australiano, que na época morava em Londres, mas também passava muito tempo viajando, trabalhando como fotógrafo. Eles se apaixonam, compartilham juntos boas viagens e alguns meses de namoro.

Com o passar dos anos, Amanda começa a perceber que “nem só de viagem vive o homem” rsrs. Ela sabe que precisa de uma profissão, saber fazer alguma coisa. Vão surgindo então algumas oportunidades para escrever artigos e até para trabalhar como jornalista num canal de televisão no Iraque. É engraçado quando olhamos para as coisas que vão formando nosso caminho, nos preparando para o hoje.

Foi assim com Amanda. Ela, quando criança, nunca poderia imaginar que seu desejo de viajar ia ser realizado, mas também a levaria para lugares que nunca desejou estar.

“É óbvio que você nunca vai conseguir olhar para o seu próprio futuro com clareza, ou para o futuro de qualquer outra pessoa. É impossível saber o que vai acontecer, até que a coisa aconteça. Ou talvez perceba naquela fração de segundo que antecede o fato, quando consegue vislumbrar o seu próprio destino.”

Superação
Em 2008, Amanda e Nigel retomam o contato, como amigos. Amanda se preparava para um job freelancer na Somália, e convida Nigel para ir junto, como fotógrafo. E assim, eles chegam a Mogadíscio, capital da Somália.

A Somália era (ainda é) um dos países mais perigosos do mundo, instável e que vivencia guerras civis constantes. Eles sabiam dos riscos, mas não podiam imaginar que uma viagem que era para durar apenas alguns dias fosse virar suas vidas de cabeça para baixo.

No 3º dia que estavam na cidade, junto com o guia e um motorista, eles são sequestrados e  mantidos em cativeiro por 15 meses.

“Éramos parte de uma transação desesperada, multinacional e importante. Éramos parte de uma guerra santa. Éramos parte de um problema maior. Fiz promessas a mim mesma sobre o que faria se conseguisse sair daquela situação. […] Comecei a ter certeza de que, escondidos no interior da Somália, em meio a este local estranho e maltratado, nós nunca seríamos encontrados.

Quem os mantinha em cativeiro eram islâmicos, e apesar do sequestro não ter motivação religiosa, logo Amanda e Nigel perceberam que deveriam acatar suas tradições e leis, se quisessem sobreviver. Se converter ao islamismo foi uma estratégia que adotaram, e que trouxe alguns benefícios iniciais, mas não permanentes. Nessa questão também tem o fato de como a mulher é vista e tratada pelo islã, complicando ainda mais o lado de Amanda.

O grupo que os sequestrou era composto principalmente por meninos. Meninos que cresceram em meio à violência, à fome. Muitas vezes Amanda entrava em conflito sobre o que pensar em relação a eles. Às vezes o sentimento era de raiva, mas em outros, de compaixão.

A motivação principal do sequestro foi dinheiro. O grupo que os sequestrou pediu 3 milhões de dólares pela vida dos dois. Foram muitos meses de negociação, e os governos (tanto da Austrália quanto do Canadá), apesar de prestarem apoio às famílias, não entraram com o dinheiro. Foi necessário que a família de ambos vendessem bens, fizessem empréstimos e amigos ajudassem. Depois desses 15 meses, conseguiram pagar o resgate, chegando num acordo de 600 mil dólares.

Durante a leitura, sobre esse tempo de cativeiro, foram muitos os meus momentos de lágrima, angustia e revolta. Eu sofri com Amanda em seus momentos de medo, dor, desespero, fome. Fiquei pensando na minha força, se eu conseguiria sobreviver a uma situação semelhante, se eu manteria a esperança como ela manteve.

A presença e amizade de Nigel fez também toda a diferença para que Amanda permanecesse firme. Apesar dela enaltecer isso, há alguns fatos que ela conta que me deixaram “chateadas” com Nigel (como quando ele a deixou levar toda a culpa por uma tentativa de fuga). Mas descobri que ele também escreveu um livro, e quero muito ler, conhecer a versão dele.

Quando terminei de ler o livro fiz algumas pesquisas, e achei o episódio “Pesadelo na Somália” da Série Férias na Prisão, da FOX. O episódio é sobre a história deles, contada por Nigel. Assisti e apesar de ser apenas uma pincelada do que foram esses 15 meses já deu para ter uma noção de tudo que passaram.

Aqui também tem uma notícia de quando foram libertados.

Sobre o nome do livro
Durante o tempo de cativeiro, Amanda e Nigel foram mantidos em diferentes casas. E referiam-se a elas como A Casa Escura, A Casa Elétrica etc.

E havia a Casa no Céu. Essa é para onde Amanda ia, em sua mente e coração, nos momentos terríveis.

“Dentro da casa no céu, todas as pessoas que eu amava se sentavam para uma bela refeição, digna de um feriado. Eu estava segura e protegida. Estava onde todas as vozes que normalmente rasgavam meus pensamentos expressando medo e desejando que a morte chegasse ficassem em silêncio, até restar apenas uma. Era uma voz calma e forte, que, para mim, se parecia divina. Ela dizia: Está vendo? Você está bem, Amanda. É apenas o seu corpo que está sofrendo, e você não é  o seu corpo. O restante de você está bem.”

 

Bem, é um livro que me prendeu até o final. Pela sua boa escrita, cheia de detalhes, informações e sentimento. Mas também por provar mais uma vez que “enquanto houver vida, há esperança!”

Bom restinho de feriado a todos!

Bjs,
Alê e Maya.

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