O Vermelho e o Negro, de Stendhal

Olá pessoal! Hoje vou falar sobre um romance francês, considerado um clássico mundial. Bora lá!

Já li muitos livros longos. Alguns deles até 2 vezes. Mas nunca peguei um que me desse tanta vontade de desistir a cada 10 páginas. Mas eu fui persistente (principalmente considerando que estava sem posts para o blog).

O Vermelho e o Negro, de Stendhal, em suas mais de 500 páginas conta a trajetória do jovem Julien Sorel, iniciando pela cidade fictícia Verriéres, na França. A história se passa entre 1820 e 1830.

Sorel é um rapaz inteligente, manipulador, articulado. Usa e abusa das palavras e aparências. Filho de camponês, pobre, se indigna por seu lugar no mundo e busca alcançar uma posição na vida (status e riquezas) acreditando que isso seja possível por apenas dois caminhos: militar ou religioso. Algo muito comum naquela época.

No caminho militar, ficou apenas o sonho e  admiração por Napoleão Bonaparte. Já no caminho religioso, quase chegou lá.

Agradou ao cura Chelan, que viu potencial no pobre rapaz e lhe dava aulas de teologias. Sorel aprendia rápido e fez com que todos o admirassem pelo seu conhecimento bíblico e latim (algo que na época era exclusivo aos cargos religiosos, talvez por isso o “povo” ficasse tão encantado com tanto conhecimento).

Sua aventura começa quando é contratado para trabalhar como preceptor dos filhos do prefeito da cidade, Sr Rênal. Preceptor é tipo um tutor/professor.

Acontece que a mãe das crianças, a Sra de Rênal, passa a olhar Sorel de outra forma. Ela, aos 36, num casamento sem nenhuma emoção, descobre nesse rapaz belo de 19 anos a vivacidade da paixão.

– O que quer aqui, meu menino? 

Julien virou-se vivamente e, impressionado com o olhar cheio de graça da sra. de Rênal, esqueceu uma parte de sua timidez. Em seguida, espantado com sua beleza, esqueceu tudo, mesmo o que vinha fazer.

O drama só está começando. Vemos Sorel descobrindo o poder que exerce sobre as mulheres, filosofando se também ama a Sra de Rênal, ou apenas ama ser amado. Vemos Sorel morrendo de amor e no momento seguinte, apático. De verdade, ele tem grande dificuldade de autoconhecimento.

Deve se imaginar que nesse livro tão longo muita coisa vai acontecer! Sorel vai se envolver nessa paixão, vai fugir, vai seguir a carreira eclesiástica, vai desistir de ser padre, vai continuar tentando subir na vida, vai continuar filosofando, vai se angustiar, vai se envolver com outra moça, novamente vai amar em um segundo e no seguinte desprezar, e, por fim, vai voltar aos braços da Sra de Rênal. E tudo isso de uma forma muito longa, devagar (e chata).

Ele tem tantos dilemas que me cansou. Já bastam os meus. Ele tem tanto desejo de ser amado, reconhecido, admirado, aplaudido, que dá vontade de desprezá-lo só pra vê-lo magoadinho.

Olha… eu não sou uma pessoa má (ou ao menos, não tento ser). Mas nessas centenas de páginas, o livro conseguiu me prender, me trazer aquela sensação de adrenalina, apenas nas últimas páginas, justamente pela possibilidade da morte de Sorel. Porque assim, enfim, poderia me livrar delel!

E é isso. No livro também fica bem claro a ênfase nas questões políticas, religiosas e culturais da França, daquela época. O livro ganhou pontos comigo nesse quesito, uma vez que aspectos históricos sempre me agradam.

Quanto ao autor, Stendhal marcou seu tempo. Essa é justamente a marca de seu romance: a profunda abordagem psicológica dos personagens. Em detalhes! Também achei bacana os momentos que Stendhal abre mão da narrativa para conversar com os leitores. Geralmente, para explicar o motivo de determinado comportamento de um personagem. Ou porque relatou em detalhes uma conversa tediante. Não li nenhum outro livro dele, então não sei se isso é uma característica dele ou algo particular a esse livro.

Por fim, vale contar o caminho que me levou até esse livro. Em 2014, vi no site “Eu te dedico” uma  dedicatória muito interessante, deixada em um livro “O Vermelho e o Negro”:

Não tem porque não te
dar um livro que um
dia vai ser nosso.
Espero ver ele na nossa
biblioteca um dia.


Fofo, né?! E assim, O Vermelho e Negro entrava pra minha lista de próximas leituras (que não são tão próximas assim, pois vê-se que se passaram 2 anos!).

Pena que não foi um livro que despertou em mim melhores emoções e admiração. Mas mesmo que tenha despertado minhas indignações, é válido compartilhar aqui. Ou sei lá, talvez eu só esteja de mau humor. Ou tenha me achado muito parecida com Sorel em tantos dilemas, dúvidas e insegurança.

Até breve!

o-vermelho-e-o-negro

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