Arquivo | agosto 2016

A Bíblia toda, o ano todo. De John Stott

Olá, Pessoal. Em setembro inicia-se a leitura do meu devocional preferido: A Bíblia toda, o ano todo, de John Stott.

Ale

Esse devocional é um dos melhores por 2 motivos: 1) não é do tipo autoajuda, como muitos que já acompanhei por aí, e 2) foi escrito pelo fera tio John!

Sem dúvida, a junção de porções das Palavra com pensamentos do John traz diariamente leituras edificantes e desafios para a vida cristã!

E não, não estou perdida no ano. Ele começa no mês de setembro mesmo, porque segue o calendário cristão. Isso significa que lá para dezembro estaremos lendo sobre o nascimento de Cristo, casando assim com a época do Natal. Lá para abril, estaremos lendo sobre a Morte e Ressurreição de Cristo, conciliando com a época de Páscoa.  E no período entre maio e setembro, a leitura é focada nos atos dos primeiros cristãos, nas cartas apostólicas e, por fim, nas promessas finais (Apocalipse). Na sinopse lá abaixo tem explicadinho a divisão dele.

Para saber sobre quem foi John Stott e o legado que deixou, acesse aqui.

 

O Devocional é da Editora Ultimato, e quem se interessar, ainda dá tempo de comprar, receber e acompanhá-lo pelo próximo ano. Eu recomendo!

Para deixar um gostinho, reproduzo aqui a primeira leitura:

A iniciativa do Criador
No princípio Deus criou os céus e a terra. GÊNESIS 1.1

As primeiras três palavras da Bíblia (“No princípio Deus”) formam uma introdução indispensável para todo o resto. Elas revelam que nunca podemos nos antecipar a Deus ou surpreendê-lo, pois ele está sempre lá, “no princípio”. A iniciativa de toda ação é sempre de Deus.

Isto é particularmente verdadeiro sobre a criação. Os cristãos crêem que, quando Deus deu início à sua obra criativa, nada existia além dele mesmo. Só ele estava lá, no início de tudo. Só ele é eterno. A centralidade de Deus em Gênesis 1 é proeminente em toda a narrativa. Deus é o sujeito de quase todos os verbos. “Deus disse” aparece dez vezes no texto e “Deus viu que era [muito] bom”, sete vezes.

Nós não temos que optar entre Gênesis 1 e a cosmologia ou astrofísica contemporânea. Deus nunca teve a intenção de que a Bíblia fosse um texto científico. Na verdade, deveria ser evidente para os leitores que o texto de Gênesis 1 é um poema altamente estilizado e belo. Ambas as abordagens da criação (a científica e a poética) são verdadeiras, porém partem de perspectivas diferentes e se complementam.

Quando o Credo dos Apóstolos afirma nossa crença em “Deus Pai TodoPoderoso”, está se referindo não apenas à sua onipotência, mas também ao seu poder de controle sobre toda a criação. O que ele criou, ele também sustenta. Sua presença é imanente neste mundo; ele está continuamente sustentando, revigorando e colocando em ordem todas as coisas. O fôlego de todos os seres viventes está em suas mãos. É ele quem faz o sol brilhar e a chuva cair. Ele alimenta os pássaros e protege as flores. Isto pode ser poético, mas é também verdadeiro.

Daí a sabedoria das igrejas que mantêm um culto anual para ação de graças e dos cristãos que dão graças antes das refeições. Estas atitudes não apenas são corretas como nos ajudam a relembrar que nossas vidas e todas as coisas dependem de nosso fiel Criador e Mantenedor.

Para saber mais: Mateus 5.43-45; 6.25-34

Bjs,
Alê

Sinopse:

Usando o calendário cristão como pano de fundo, A Bíblia Toda, O Ano Todo explora, em 365 dias, toda a história bíblica, da criação em Gênesis até a consumação em Apocalipse. Dia a dia somos guiados, ao longo do ano, por toda a narrativa bíblica.

A obra considera o calendário da igreja em três períodos, assim como divide a narrativa bíblica em três partes. A primeira parte começa com a criação, em Gênesis, e termina com o nascimento de Cristo — nos faz mais próximos do Antigo Testamento. A segunda começa com Jesus Cristo, seu ministério, morte e ressurreição, e vai até o Pentecostes. A terceira parte traz uma reflexão sobre a vida cristã a partir do livro de Atos dos Apóstolos e sobre a esperança cristã como apresentada nas Cartas e no Apocalipse.

Lembrar, reviver e celebrar anualmente esta história sublime pode nos conduzir a uma fé equilibrada na Trindade e aumentar a nossa familiaridade com a estrutura e o conteúdo da Bíblia. Ajuda-nos também a firmar nossa confiança no Deus da história, que trabalhou e continua trabalhando por seu propósito antes, durante e depois da primeira vinda de nosso Senhor Jesus Cristo até que ele volte em poder e glória.

 

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Apenas um Trecho #4

“- És alta, Leola. Mais alta até do que alguns cavaleiros. Mas és muito mais leve do que o menor dos homens. Os melhores guerreiros não são necessariamente os mais fortes, os maiores, os mais pesados. Os bons guerreiros são aqueles que têm cabeça e coração. Uma cabeça clara e rápida, capaz de escolher, quase sem pensar, a estratégia de luta em casa ocasião. E um coração de leão que não conheça o medo, porque só ganha um combate quando se sai para ganhar. Entendes?”

A História do Rei transparente
Rosa Montero

 

O Vermelho e o Negro, de Stendhal

Olá pessoal! Hoje vou falar sobre um romance francês, considerado um clássico mundial. Bora lá!

Já li muitos livros longos. Alguns deles até 2 vezes. Mas nunca peguei um que me desse tanta vontade de desistir a cada 10 páginas. Mas eu fui persistente (principalmente considerando que estava sem posts para o blog).

O Vermelho e o Negro, de Stendhal, em suas mais de 500 páginas conta a trajetória do jovem Julien Sorel, iniciando pela cidade fictícia Verriéres, na França. A história se passa entre 1820 e 1830.

Sorel é um rapaz inteligente, manipulador, articulado. Usa e abusa das palavras e aparências. Filho de camponês, pobre, se indigna por seu lugar no mundo e busca alcançar uma posição na vida (status e riquezas) acreditando que isso seja possível por apenas dois caminhos: militar ou religioso. Algo muito comum naquela época.

No caminho militar, ficou apenas o sonho e  admiração por Napoleão Bonaparte. Já no caminho religioso, quase chegou lá.

Agradou ao cura Chelan, que viu potencial no pobre rapaz e lhe dava aulas de teologias. Sorel aprendia rápido e fez com que todos o admirassem pelo seu conhecimento bíblico e latim (algo que na época era exclusivo aos cargos religiosos, talvez por isso o “povo” ficasse tão encantado com tanto conhecimento).

Sua aventura começa quando é contratado para trabalhar como preceptor dos filhos do prefeito da cidade, Sr Rênal. Preceptor é tipo um tutor/professor.

Acontece que a mãe das crianças, a Sra de Rênal, passa a olhar Sorel de outra forma. Ela, aos 36, num casamento sem nenhuma emoção, descobre nesse rapaz belo de 19 anos a vivacidade da paixão.

– O que quer aqui, meu menino? 

Julien virou-se vivamente e, impressionado com o olhar cheio de graça da sra. de Rênal, esqueceu uma parte de sua timidez. Em seguida, espantado com sua beleza, esqueceu tudo, mesmo o que vinha fazer.

O drama só está começando. Vemos Sorel descobrindo o poder que exerce sobre as mulheres, filosofando se também ama a Sra de Rênal, ou apenas ama ser amado. Vemos Sorel morrendo de amor e no momento seguinte, apático. De verdade, ele tem grande dificuldade de autoconhecimento.

Deve se imaginar que nesse livro tão longo muita coisa vai acontecer! Sorel vai se envolver nessa paixão, vai fugir, vai seguir a carreira eclesiástica, vai desistir de ser padre, vai continuar tentando subir na vida, vai continuar filosofando, vai se angustiar, vai se envolver com outra moça, novamente vai amar em um segundo e no seguinte desprezar, e, por fim, vai voltar aos braços da Sra de Rênal. E tudo isso de uma forma muito longa, devagar (e chata).

Ele tem tantos dilemas que me cansou. Já bastam os meus. Ele tem tanto desejo de ser amado, reconhecido, admirado, aplaudido, que dá vontade de desprezá-lo só pra vê-lo magoadinho.

Olha… eu não sou uma pessoa má (ou ao menos, não tento ser). Mas nessas centenas de páginas, o livro conseguiu me prender, me trazer aquela sensação de adrenalina, apenas nas últimas páginas, justamente pela possibilidade da morte de Sorel. Porque assim, enfim, poderia me livrar delel!

E é isso. No livro também fica bem claro a ênfase nas questões políticas, religiosas e culturais da França, daquela época. O livro ganhou pontos comigo nesse quesito, uma vez que aspectos históricos sempre me agradam.

Quanto ao autor, Stendhal marcou seu tempo. Essa é justamente a marca de seu romance: a profunda abordagem psicológica dos personagens. Em detalhes! Também achei bacana os momentos que Stendhal abre mão da narrativa para conversar com os leitores. Geralmente, para explicar o motivo de determinado comportamento de um personagem. Ou porque relatou em detalhes uma conversa tediante. Não li nenhum outro livro dele, então não sei se isso é uma característica dele ou algo particular a esse livro.

Por fim, vale contar o caminho que me levou até esse livro. Em 2014, vi no site “Eu te dedico” uma  dedicatória muito interessante, deixada em um livro “O Vermelho e o Negro”:

Não tem porque não te
dar um livro que um
dia vai ser nosso.
Espero ver ele na nossa
biblioteca um dia.


Fofo, né?! E assim, O Vermelho e Negro entrava pra minha lista de próximas leituras (que não são tão próximas assim, pois vê-se que se passaram 2 anos!).

Pena que não foi um livro que despertou em mim melhores emoções e admiração. Mas mesmo que tenha despertado minhas indignações, é válido compartilhar aqui. Ou sei lá, talvez eu só esteja de mau humor. Ou tenha me achado muito parecida com Sorel em tantos dilemas, dúvidas e insegurança.

Até breve!

o-vermelho-e-o-negro