O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos

Sim, foi só agora, depois de adulta, que li pela primeira vez Meu Pé de Laranja Lima.
Um livro que tocou meu coração como há muito tempo não acontecia.

Contado na visão do menino Zezé, O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, nos faz voltar à fase de criança.

Uma época em que nos alegramos diante de coisas simples da vida, em que confiamos nas pessoas, e nos entregamos a quem nos dá afeto com todo o coração. Em que a imaginação nos leva aonde queremos ir. Em que os sonhos estão bem mais próximos do que qualquer realidade.

E é assim que Zezé vai vivendo sua infância. Ele é um menino pobre, que junto com a família já viu muita tristeza. Mas também podemos ver nessa família o cuidado dos irmãos entre si e a força de seguirem pela vida, assim como tantas outras famílias brasileiras.

Como o pai já está desempregado há algum tempo, a família precisa mudar de casa (o que é um trauma para qualquer criança). Mas logo que chegam à nova casa, cada criança busca reconhecer o terreno e adotar sua própria árvore. Sobra para o Zezé um pezinho de Laranja Lima, que no começo é desprezado, mas logo é convertido em amigo, confidente, consolo. É uma beleza de se ver! A arvorezinha ganha até  dois nomes: Minguinho e Xururuca.

“— Mas que lindo pezinho de Laranja Lima! Veja que não tem nem um espinho. Ele tem tanta personalidade que a gente de longe já sabe que é Laranja Lima. Se eu fosse do seu tamanho, não queria outra coisa.
— Mas eu queria um pé de árvore grandão.
— Pense bem, Zezé. Ele é novinho ainda. Vai ficar um baita pé de laranja. Assim ele vai crescer junto com você. Vocês dois vão se entender como se fossem dois irmãos. Você viu o galho? É verdade que o único que tem, mas parece até um cavalinho feito pra você montar.
Estava me sentindo o maior desgraçado da vida…”

E assim, acompanhamos Zezé em suas aventuras de criança (e às vezes de adulto, como quando trabalha para ganhar uns trocadinhos), mas sua maior aventura será a amizade que fará com o Sr Manuel Valadares, carinhosamente apelidado pelo menino de Sr. Portuga.

Um senhor rico que lhe dará muito amor, que o tratará como filho e lhe ensinará tanta coisa (até aquelas que Zezé não estivesse preparado para aprender)!

“Eu sorri cheio de dor, mas dentro daquela dor tinha acabado de descobrir uma coisa importante. O Português tinha se tornado agora a pessoa que eu queria mais bem no mundo”.

Confesso que quando comecei a ler sobre essa amizade eu precisei me esforçar muito para ver com bons olhos a relação de um senhor e uma criança. Precisei encher meu coração de pureza e confiança. Porque, infelizmente, algo que era muito comum (eu mesmo tive muitos amigos adultos), na nossa sociedade de hoje é preocupante. Fico triste de saber que o mal tem esse poder: o de nos fazer duvidar ao encontrar situações de bondade. Entendem o que quero dizer?

Mas quando conseguir “limpar” meu coração, ah, como essa amizade entre eles me tocou!

“Aí eu me aproximei bem dele e encostei minha cabeça junto ao seu braço.
— Portugal
— Hum…
— Eu nunca mais quero sair de perto de você, sabe?
— Por quê?
— Porque você é a melhor pessoa do mundo. Ninguém judia de mim quando estou perto de você e sinto um “sol de felicidade dentro do meu coração”.

Me tocou de tal modo, que quando foi preciso, chorei até não poder mais.

Pois o livro também nos leva para essa fase de criança em que as tragédias da vida nos alcançam cedo demais, e não temos a experiência necessária para lidar. E são poucos os adultos que sabem nos consolar, pois a maioria faz uso de argumentos, justificativas e sabedoria impossíveis de compreender.

Chorei por essa criança, e pela criança que ainda existe em mim. Porque mesmo quando crescemos, diante das tragédias da vida, tudo o queremos é encontrar um colo. 

Por fim, ao ler esse livro senti muita ternura. Pela vida, pelas pessoas, pelos meus sonhos.

“Foi você, quem me ensinou a ternura da vida, meu Portuga querido. Hoje sou eu que tento distribuir as bolas e as figurinhas, porque a vida sem ternura não é lá grande coisa.”

Se você ainda não leu essa história, leia. Se já leu há muito tempo, leia novamente. Temos vivido dias difíceis, e um pouquinho dessa ternura trará mais cor para nossa vida!

Bjs!

Uma notinha:

O Meu Pé de Laranja Lima foi publicado em 1968, foi traduzido para 32 línguas e publicado em 19 países. Do livro foram feitos um filme em 1970 que levou aos cinemas mais de 7 milhões de espectadores, além de 3 novelas de grande sucesso: TV Tupi   (1970); Rede Bandeirantes (1980 e 1998). Em abril de 2013 estreou uma nova adaptação com direção de Marcos Bernstei. A qual quero muito ver! (fonte aqui)

 

Ficha Técnica Meu-pe-de-laranja-limajpg
O Meu Pé de Laranja Lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos
Ano: 2005 (edição 131)
Pág: 192
ISBN: 850605804X

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