Arquivo | junho 2016

Um dia, de David Nicholls

Hey pessoal, tudo bem?!

Fazia um bom tempo que eu não lia um romance, e depois de muitas recomendações para esse livro (inclusive da Alessandra), decidi ler Um dia, do autor David Nicholls.

Eu já havia assistido ao filme, mas mesmo assim foi uma leitura, sem dúvidas, apaixonante. Sem contar que a leitura nos proporciona mais detalhes da história, e sobre os sentimentos dos personagens! Então, mesmo se você já tenha visto o filme, vale a pena ler.

Não vou mentir, nos primeiros capítulos achei um pouco chato e arrastado, mas logo depois começou a se tornar uma história envolvente.

O livro narra vinte anos da vida de Dexter Mayhew e Emma Morley, contando a partir de 1998, que é quando eles se tornam amigos, logo depois da festa da formatura da faculdade.

Daí em diante, cada capítulo se passa no dia 15 de julho de um ano, que foi a manhã depois de Dexter e Emma passarem a noite juntos se conhecendo e trocando planos sobre como seria o futuro dos dois.

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Para a surpresa de ambos, mesmo sendo totalmente diferentes, e seguindo caminhos distantes depois da faculdade – Dexter indo viajar o mundo para se conhecer e Emma trabalhando como garçonete para poder se manter –, os dois se tornam melhores amigos.

O livro vai narrando então o crescimento deles, as escolhas sobre a vida profissional e amorosa, e principalmente o amadurecimento da amizade que surgiu. Alguns momentos compartilhando alegrias, outros brigados, e superando momentos difíceis.

Quando começaram a amizade Emma já era apaixonada por Dexter, mas com o passar do tempo, aceita vê-lo apenas como um amigo, e se desencana de qualquer possibilidade de um futuro juntos como casal. Mas será que esse contentamento de amizade vai permanecer depois de 20 anos?

*GIF daqui 

Algumas vezes o capítulo mostra os dois juntos, e outras vezes a vida de cada um separado. Mas não se preocupe, o autor consegue (e muito bem) nos colocar a par de tudo o que houve durante o ano que se passou..

Um dia é um livro que te faz refletir sobre como você está levando a vida, o que você tem priorizado, e nos faz ver como uma simples decisão pode impactar em todo nosso futuro. Você vai crescer e se apaixonar com Dex e Em!

 Ah, esse é um dos livros preferidos da Alê, e ela ficou bem enciumada por ser eu a escrever sobre ele hahaah. Mas mantendo a paz, compartilho um dos trechos preferidos dela, e que sempre a faz chorar quando lê!

“Emma se afastou para poder olhar para ele. 
– Você jura que não vai mais desaparecer?
– Se você não desaparecer, eu não desapareço.
Os lábios dos dois se tocaram, bocas fechadas, olhos abertos, imóveis. O momento se manteve, uma espécie de confusão gloriosa.
– Que horas são? – perguntou Emma, afastando o rosto meio em pânico.
Dexter ergueu a manha e olhou o relógio.
– Quase meia-noite.
– Poxa! Hora de ir embora.
Voltaram a caminhar em silêncio, sem saber bem o que havia acontecido e o que aconteceria depois. Mais duas curvas e estariam fora do labirinto, de volta à festa. Emma estava prestes a abrir o pesado portão de carvalho, quando Dexter pegou a mão dela.
– Em?
– Dex?
Queria continuar segurando a mão dela e voltar ao labirinto. Desligar o telefone e ficar ali com Emma até a festa acabar, se perder de novo e falar sobre o que tinha acontecido.
– Amigos de novo? – disse finalmente.
– Amigos de novo. – Emma largou a mão dele.
– Agora vamos procurar sua noiva. Quero dar os parabéns a ela”.

Trailer do filme:

 

 

Ficha Técnicalivro-um-dia
Um dia
Autor: David Nicholls
Editora: Intríseca
Ano: 2011
Pág: 411
ISBN: 9788580570458

                

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Olhai os Lírios do Campo

Olá, Pessoal! Hoje o post é sobre um dos livros da literatura
nacional que guardo com carinho no coração. Espero que gostem!

A primeira vez que li Olhai os Lírios do Campo, de Erico Veríssimo, foi no final de 2009. Na época, a Alaisa também estava lendo o livro, então, íamos compartilhando as impressões, com todo o cuidado de não dizer o que não devia (nem ligo pra spoiler, mas a Alaisa sim). Os personagens nos marcaram, e fez até a Alaisa decidir que se um dia tivesse uma filha, ela se chamaria Olívia (será que se mantém a decisão?).

Mas vamos ao livro! E já adianto as desculpas por ter ficado um post longo.

Olhai os Lírios do Campo foi escrito em 1938, e é considerado pelo Verissimo um marco em sua trajetória como escritor. Ele mesmo cita: “Posso afirmar que só depois do aparecimento de Olhai os Lírios do Campo é que pude fazer profissão da literatura”.

Tendo como pano de fundo a Revolução de 30, no Brasil, o livro conta a história de Eugênio Fontes, um rapaz que cresceu em meio à pobreza e privações. Seus pais fizeram todos os esforços para sustentar a família e dar educação aos dois filhos, mas Eugênio pouco soube reconhecer e honrar. Uma culpa que Eugênio levará pelo resto da vida. Há uma cena particularmente muito triste, em que junto de seus amigos “importantes”, Eugênio encontra-se com o pai na rua mas finge não conhecê-lo 😥

“À medida que progredia nos estudos e que se lhe alargava a visão do mundo, Eugênio sentia que, como um balão, ia subindo cada vez mais rumo das coisas superiores, deixando lá embaixo a família presa às suas necessidades elementares, aos seus solecismos, à sua absoluta ignorância, a uma vida que às vezes lhe parecia puramente vegetativa”.

E Eugênio leva também para a vida adulta um grande complexo de inferioridade. Em todo o tempo ele se vê humilhado, inferior, sem nenhum valor. Seja por não conhecer determinado filósofo, seja por estar vestindo uma roupa simples, seja por ser filho de um alfaiate, seja por ter um irmão bêbado. Mesmo quando encontra gente que o respeita e o valoriza, ele não consegue ver com bons olhos a consideração recebida.

No dia da sua formatura em Medicina ele começa uma amizade com Olívia, uma moça simples, sem grandes atrativos físicos. Olívia é cheia de paz, fé, sobriedade, bom senso. Tem um forte desejo de ajudar, de fazer a diferença. É uma personagem tão correta e do bem, que nos faz desacreditar da sua veracidade.

Ela se torna um refúgio para Eugênio. Uma amiga e amante que ouve suas confidências, que o incentiva a ser alguém melhor. E por ver nele uma luz que nem ele mesmo consegue enxergar, tenta a muito custo abrir seus olhos para si mesmo e para a vida.

“Mas que terá ela visto em mim? – perguntava-se ele. Que terei feito eu para merecer esse amor, essa dedicação, essa fidelidade que continua até mesmo na morte?”.

É como se Olívia exercesse um papel, muito nítido, de consciência moral, espiritual e social para Eugênio.

“Era lhe vagamente incômodo ser assim descoberto, assim adivinhado nos sentimentos mais íntimos. Ele relutava em concordar, em se dar por vencido. Mas era inútil. Os olhos de Olívia pareciam ver além de coisas físicas. E por que era que ele nunca se zangava, nunca se irritava com as observações dela, por mais diretas, cruas e contundentes que fossem? Por que era que ele não se irritava mesmo quando, com espantoso olho clínico, ela botava o dedo nas suas feridas mais profundas?”

Olívia também tenta mostrar para o incrédulo Eugênio o sentido da fé. Uma fé em Deus que se estende no amor ao próximo.

“A bondade não deve ser uma virtude passiva. No dia em que achei Deus, encontrei a paz e ao mesmo tempo percebi que de certa maneira não haveria mais paz para mim. Descobri que a paz interior só se conquista com o sacrifício da paz exterior. Era preciso fazer alguma coisa pelos outros”.

Enquanto a história de Eugênio e Olívia vai se desenrolando, vemos Eugênio exercendo a profissão de Medicina. Quando optou por essa profissão, ele acreditava que era uma forma de ajudar as pessoas de origem pobre. Mas logo se mostra a verdadeira razão. Ele sente repulsa ao atender os doentes, ao entrar em casa de gente pobre, em se ver ganhando pouco tostões, sem crescer na vida e na carreira. E percebe que a escolha foi mais por ajudar a si mesmo, ser importante, do que por pensar no outro. É nessa frustração na medicina que vamos percebendo como Eugênio tenta mascarar suas verdadeiras intenções.

E é numa moça rica que vê a oportunidade de mudar de vida. Eunice Cintra cativa Eugênio, que se sente atraído pela sua beleza e pela beleza de seu mundo. Para ele, fica muito claro o que fazer: casar-se. E chega a ser engraçado como vemos que, apesar dele se sentir apaixonado, ele reconhece o verdadeiro motivo de tal decisão: mudar sua vida. Puro interesse!

Eugênio conta a Olívia sobre sua decisão por carta, mas quando chega o momento da verdade dita cara a cara, vemos Eugênio lutando contra si. É um momento tenso e angustiante, e ficamos na expectativa de que ele voltará atrás.

“Contemplava Olívia. O luar lhe batia  em cheio no rosto. Ela era bela, duma beleza que nada tinha de agressivo, mas que jazia escondida como um tesouro; era serena e possuía algo que fazia pensar nas coisas eternas e imutáveis. Por que ele não a amava mais? Por que não abandonava Eunice  e tudo mais para se entregar por inteiro à Olívia?”

Olha, fiquei muito brava com Olívia. Realmente acho que ele devia ter sido menos… Olívia. Ela devia ter dito a Eugênio que o amava, e que mais nada importava. Que eles enfrentariam a vida juntos. Mas não foi o que fez. Em certa ocasião, alguns anos depois, Eugênio questiona Olívia por que ela não “lutou” por eles. Ela se explica: “Se eu te retivesse aquela noite tu passarias o resto da vida amargurado e arrependido, julgando que tua felicidade estaria nesse outro mundo em que hoje vives”.

Faz sentido. Há tombos que precisamos tomar, há decisões erradas que precisamos fazer… tudo para que possamos aprender e seguir um melhor caminho. É como se fossem feridas necessárias para nosso corpo e alma. Mas ainda assim, acho que se naquela noite tivessem lutado pelo que realmente queriam, muita dor teria sido evitada.

Pois bem. Eugênio casa-se com Eunice, e Olívia vai embora para outra cidade, rompendo contato com Eugênio.

Mas rapidamente Eugênio  percebe o tamanho do seu erro. O casamento não se tornou sua salvação, pelo contrário. É um casamento que evidencia as diferenças existentes, que o angustia ao extremo. Ele sabe que falta algo mais, que precisa de mais!

“No fim de contas que é ele ao cabo de tantas crueldades, de tanta agitação, de tantos conflitos? Nada. Um homem medíocre que, tendo procurado o sucesso através dum casamento rico, acabou encontrando nele apenas as mesmas inquietudes e incertezas do tempo de pobreza, a antiga e dolorosa sensação de inferioridade. Hoje ele é simplesmente o marido de Eunice Cintra”.

No entanto, sair do passo “saber” para o passo “fazer algo a respeito” exigirá muito esforço de Eugênio, um personagem até então acomodado e covarde. Será necessário outros golpes do destino para que ele consiga agir.

“O que havia por enquanto era a deplorável carne sem vontade que amava o conforto e se negava a desprender-se das coisas que lhe proporcionavam gozo, bem-estar”.

É na ausência de Olívia, mas com seus pensamentos e bondade constantemente presente, que Eugênio começa a dar os passos a sua liberdade. Sim, ele precisou se libertar das convicções materiais, da apatia, da insensibilidade.

“A vida deve ter um sentido. Agora ele começa a adivinhar nela contornos mais lógicos, o princípio dum desenho nítido. Ser bom e ser forte na bondade, fugir à violência e à ambição desmedida, ter olhos para a profunda beleza das coisas, ser às vezes como uma criança que está a todo o instante redescobrindo o mundo”.

Eugênio, enfim, começa a dar um jeito em sua vida, voltando inclusive a exercer a medicina, mas agora de corpo e alma. E assim, chegamos à parte final do livro. Um pouco mais extensa, ela trata principalmente de diversos casos e vidas que o Dr Eugênio Fontes, em companhia do amigo Dr Seixas, cuida. É nessa parte do livro que vemos Eugênio amadurecendo, se humanizando, se transformando no Eugênio que tanto Olívia acreditou.

“Quando os clientes saíram, Eugênio escancarou a janela, sorveu demoradamente o ar fresco da tarde. De certo modo se sentia alegre. Começava a tomar a vida pelos ombros e tenta beijá-la na face, como lhe aconselhava Olívia. Era um beijo de sacrifício que ele dava ainda com alguma repugnância, num desfalecimento de medo, violentando a sua natureza mais íntima. Mas havia nesse beijo um estranho elemento de fascínio. E ele sabia – se sabia! – que um dia, não muito remoto, ele ainda beijaria com amor essa mesma vida incoerente , sórdida, brutal e apesar disso, ou talvez por isso mesmo, bela”.

Olhai os Lírios do Campo é uma história bela. Ela mostra realidades, inquietações, reflexões. Ao mesmo tempo que queria sacudir o Eugênio, gritar para ele sair de seu mundinho, eu também quis abraçá-lo. Porque muitas vezes vi nele um adulto que trouxe as marcas da criança maltratada, que não soube apreciar o valor de quem estava presente enquanto era tempo, que não sabe para onde está indo.

Porque eu também sou “Eugênio” em muitos momentos da minha vida! Tenho medo do futuro, de ter errado feio no passado, de não estar onde deveria estar nesse presente.

E aí, apenas preciso me lembrar de que “a vida começa todos os dias” e de que há Deus cuidando de mim: “Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles”. Mateus 6:26-29

Outras coisas belas que a história reforçou no meu coração:
– Tem gente que nos põe para baixo. Tem gente que nos põe para cima, mesmo quando nos diz o quanto somos “baixos”. Ao lado de que tipo de gente quer estar? Que tipo de gente deseja ser?
– Muitas das nossas complexidades são irreais, infundadas. Nem sempre as pessoas estão nos olhando “torto”. Muitas vezes somos nós que distorcemos a forma como o outro nos vê.
– Reforço ao que escrevi nesse outro post, sobre a importância das pequenas coisas. Eugênio não pode mudar o cenário da saúde publica em todo o país, mas tinha nas mãos a possibilidade de fazer a diferença em cada atendimento prestado.
– O amor é raro. E deixá-lo escapar pode ter resultados irreversíveis.
– Um trabalho digno sempre merecerá respeito e louvor. Sobre esse tema, compartilho aqui uma reflexão que fiz ao pensar no valor que meu pai me ensinou sobre o trabalho.
– Pessoas são mais importantes do que coisas. Sempre. Mudar essa ordem traz tristes consequências para todos.

Bem, é isso. Terminei a releitura desse livro feliz.

“Felicidade é essa certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente

 

Ficha TécnicaOlhai-os-lirios
Olhai os Lírios do Campo
Autor: Erico Verissimo
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2005
Pág: 288
ISBN: 8535906096

 

 

Uma Longa Jornada

Hi, people! Hoje vou falar sobre “Uma Longa Jornada”,
o livro que me reconciliou com Nicholas Sparks rsrs

A minha fase Nicholas Sparks iniciou-se com Um Amor para Recordar. Desde então, foram muitas histórias, lágrimas, suspiros e amores. Mas com o tempo, as semelhanças entre as histórias ficavam cada vez mais evidentes: cenários, personagens, doenças, tragédias. E assim, fui perdendo a empolgação por ele. Não rolava mais química, sabe? O stopim foi quando li a história Um Porto Seguro. Não gostei, fiquei frustrada e rompi relações.

O tempo passou e novos livros foram publicados. A todos eu ignorava. E apesar dessa minha birra, confesso que tentei conseguir um autógrafo de Sparks numa vez que ele veio em SP (foram muitas horas de espera, dei tchauzinho, prometi perdão, mas não consegui o autógrafo. Até hoje fico chateada de pensar quão perto estive).

Mas como um “antigo amor”, depois de um tempo, acabei baixando a guarda e li Uma Longa Jornada.

Uma Longa Jornada aborda não uma, mas duas histórias de amor.

Ira Levinson, um idoso já bem debilitado sofre um grave acidente de carro, e enquanto aguarda o socorro, se agarra às memórias de sua vida com a esposa, Ruth Pfeffer. Ira a conheceu quando jovem, e logo conquistou seu coração.

“É estranho, penso, o que nossas vidas se tornam. Momentos circunstanciais, quando mais tarde combinados com decisões e ações conscientes e uma boa dose de esperança, podem enfim criar um futuro que parece predestinado. Um momento desses foi quando conheci Ruth. Eu não estava mentindo ao dizer que naquele instante soube que um dia nos casaríamos”.

No entanto, por uma fatalidade do destino, todo o amor que poderia dar a Ruth não supriria outras necessidades e sonhos dela. Mas ainda assim, Ruth escolheu abrir mão de todos os outros desejos e se agarrar unicamente ao amor de Ira.

“Aquele não foi nosso primeiro beijo, mas de muitos modos se tornou meu favorito, porque aconteceu quando eu mais precisava dele, marcando o início de um dos períodos mais importantes e maravilhosos da minha vida”.

Ira e Ruth tiveram uma vida cheia de amor e beleza, mas também, de dificuldades, medos e sonhos frustrados. E acredito que é uma das razões por ter gostado dessa história, afinal, a vida real é justamente isso: dias de sol, e dias de muita tempestade. E enquanto um dia vem e outro dia vai, tudo o que nos resta é amar.

“Meu casamento trouxe muita felicidade para minha vida, mas ultimamente só tem havido tristeza. Entendo que o amor e a tragédia andam de mãos dadas, porque não podem existir sozinhos, mas ainda assim me pergunto se a troca é justa. Acho que um homem deveria morrer como viveu; em seus últimos momentos, deveria estar cercado e ser confortado por aqueles a quem sempre amou. Mas já sei que em meus últimos momentos estarei só”.

Ira e Ruth conseguiram seguir pela vida, cultivando o amor na simplicidade, na rotina,  no dia a dia. E para Ira, perder a esposa (depois de tantos anos juntos) foi como perder uma parte de si mesmo, e tudo o que lhe resta é o conforto de saber que a amou de todo o coração.

“Nossa separação, agora entendo, foi apenas temporária. Quando contemplo as profundezas do universo, sei que está chegando a hora em que a terei em meus braços mais uma vez. Afinal de contas, se existe um paraíso, nós nos encontraremos de novo, porque não existe um paraíso sem você. Eu a amo, Ira”.

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Ira e Ruth

Em paralelo às memórias de Ira, outra história de amor está sendo iniciada. É a de Sophia Danko e Luke Collins. Eles se conhecem numa arena de rodeio (Luke é competidor) e logo se veem apaixonados (Sparks adora amor à primeira vista!).

“– Acho que você é a garota mais interessante que já conheci. 
Ela quis dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas se sentiu afundando naqueles olhos azuis e ficou sem palavras. Observou-o vindo em sua direção, hesitante por um momento. Luke inclinou ligeiramente a cabeça e a próxima coisa que Sophia soube era que estava inclinando a dela também e seus rostos se aproximavam. Aquilo não foi longo, não foi ardente, mas assim que seus lábios se uniram ela teve a súbita certeza de que nada jamais parecera tão fácil e certo, o final perfeito para uma tarde perfeita”.

Para Sophia e Luke as coisas são um pouco mais complicadas. Eles são de mundos diferentes, buscam coisas opostas e possuem seus próprios segredos.

“– Não posso simplesmente ignorar o que está por vir – disse Luke, elevando o tom de voz. – Minha vida não é como a sua. Não é assistir a aulas, ficar no quarto e fofocar com Marcia. Vivo no mundo real. Tenho responsabilidades. – Ele a ouviu ofegar, mas continuou, mais incisivo a cada palavra: – Meu trabalho é perigoso. Estou enferrujado e sei que deveria ter treinado mais na semana passada. Mas a partir do próximo fim de semana tenho que me sair bem de qualquer maneira, ou minha mãe e eu perderemos tudo. Então é claro que vou pensar nisso e, sim, estarei distraído”. 

Mas com um pouco de esforço vão conseguir soltar as amarras, fazer concessões, se entregar à história que merecem viver.

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Luke e Sophia

A vida dos dois casais se cruzam porque são Luke e Sophia que encontram o Ira dentro do carro, após o acidente. Sophia se apegará bastante ao idoso Ira e será uma boa ouvinte de suas memórias de amor com Ruth.

Gostei muito das histórias, dos personagens, dos dramas vividos. Gostei muito do destaque para a Arte (Ruth era colecionadora), mas eu sou que nem o Ira na história: gosto do que vejo, mas nunca saberei dizer o porquê. Por favor, não me peça uma análise!

E entre as duas histórias, a história de Ira e Ruth foi a minha preferida, acredito que porque tenha acompanhado até o fim, e a da Sophia e Luke tenha visto apenas os primeiros passos. E houve um momento específico na vida de Ira e Ruth que me trouxe muitas lágrimas. Talvez tenha sido nesse momento que eu tenha perdoado Sparks rsrsrs

Ah, outra coisa boa é que mais uma vez um livro do Sparks virou filme apaixonante e lindo. Adorei e recomendo!

Bjs,
Alê.

Sinopse

Aos 91 anos, com problemas de saúde e sozinho no mundo, Ira Levinson sofre um terrível acidente de carro. Enquanto luta para se manter consciente, a imagem de Ruth, sua amada esposa que morreu há nove anos, surge diante dele. Uma-longa-jornada
Mesmo sabendo que é impossível que ela esteja ali, Ira se agarra a isso e relembra diversos momentos de sua longa vida em comum: o dia em que se conheceram, o casamento, o amor dela pela arte, os dias sombrios da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos sobre eles e suas famílias.
Perto dali, Sophia Danko, uma jovem estudante de história da arte, acompanha a melhor amiga a um rodeio. Lá, é assediada pelo ex-namorado e acaba sendo salva por Luke Collins, o caubói que acabou de vencer a competição.
Ele e Sophia começam a conversar e logo percebem como é fácil estarem juntos. Luke é completamente diferente dos rapazes privilegiados da faculdade.
Ele não mede esforços para ajudar a mãe e salvar a fazenda da família. Aos poucos, Sophia começa a descobrir um novo mundo e percebe que Luke talvez tenha o poder de reescrever o futuro que ela havia planejado. Isso se o terrível segredo que ele guarda não puser tudo a perder.

Ficha Técnica
Uma Longa Jornada
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano: 2013
Pág: 368
ISBN: 9788580411959