Arquivo | abril 2016

Lendo os Salmos

Olá, pessoal! O post de hoje é sobre um livro que fala de um dos meus livros bíblicos favoritos: Salmos!  E de bônus, escrito por C.S Lewis. 

Salmos foi o primeiro livro que li todinho ao ganhar a minha primeira bíblia. Eu tinha 13 anos, e lembro que tive pressa (e grande prazer) em ler todo o livro. Considerava cada um dos capítulos, até os que eu não entendia tão bem, belos. Quase tudo eu sublinhava de rosa! Tratava de promessas de descanso, de proteção, de companhia. De louvores a Deus, adoração e reconhecimento da Sua majestade.

Essa admiração por Salmos me acompanha até hoje. Em momentos de angústia ou de alegria, geralmente é para eles que recorro. Há salmos que marcaram ainda mais especialmente minha vida. Como, por exemplo, “Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?” (Sl 116.12) , que me mostra que tudo o que sou hoje, tudo o que recebi, é pela Graça. E nunca poderia retribuir. Outro exemplo é o Salmos 23 “O Senhor é meu Pastor e nada me faltará…”, recitado em companhia de um querido amigo, e algum tempo depois, ouvido na cerimônia de despedida desse mesmo amigo.

Então, quando a Editora Ultimato lançou o livro Lendo os Salmos, por C.S Lewis, corri para tê-lo em mãos. Duas boas coisas ao mesmo tempo: um livro sobre Salmos e escrito pelo querido e admirado C.S. Lewis.

Há muito tempo gosto de C.S.Lewis, de suas histórias reais e fantasiosas (quando conhecerei Nárnia?!), de seus pensamentos. Mas confesso que tive dificuldades em acompanhar suas ideias nesse livro. Acredito que tenha sido mais culpa do momento que estou vivendo, que acabou me distraindo em passagens que deveria ter me concentrado mais.

No problem! Isso me incentivará a fazer uma releitura em breve. Mas ainda assim, aquilo que consegui assimilar, foi de grande valia.

Nesse livro, Lewis teve o objetivo de compartilhar sua visão ao ler os salmos, os pensamentos que lhe vieram a mente enquanto desfrutava deles.

Uma das primeiras coisas que compartilha é que Salmos, antes de serem qualquer coisa, são poemas e merecem ser lidos e pensados como tal.

“A mim parece apropriado, quase inevitável, que quando essa grande imaginação que, no princípio, para o seu próprio deleite e para o deleite dos homens, dos anjos e (ao seu próprio modo) dos animais, criou e constituiu toda a natureza e permitiu-se expressar em linguagem humana, ela usasse a poesia, posto que a poesia é também uma pequena encarnação que dá corpo ao que outrora foi invisível e inaudível”.

Também fala da importância de situá-los em um contexto. Eles foram escritos em uma época, por um povo com uma cultura, religiosidade, sofrimento e esperança próprios. Isso nos ajuda a entender melhor os salmos que não “batem” com nossa realidade hoje. De fato, alguns salmos são tão cheios de ira e clamor por vingança que não se conciliam com o que Cristo ensinou. Mas quando relacionamos os salmos ao contexto, bem explicado por Lewis, fica mais fácil de compreendê-los. E torna-se também possível tirar pérolas deles!

“Nenhuma rede que não seja vasta como o coração inteiro de um homem nem mais delicada que o amor será capaz de capturar o peixe sagrado”.

Lendo os Salmos caminha pelos principais temas do livro: juízo, maldições, morte, bondade do Senhor, palavra (leis), conivência, natureza e louvor. Em cada um dos temas, Lewis compartilha o que lhe instigou, confortou e enriqueceu. E ao ler o livro, pude ser abençoada também com o que ele recebeu. Espero que na próxima leitura, aquilo que ficou nebuloso para mim seja esclarecido.

Sinopse Lendo-os-Salmos
O livro dos Salmos é o mais querido e mais lido pelos cristãos, além de o mais antigo hinário e livro de orações da história religiosa. Lutero, no século 16, dizia que os Salmos são “uma Minibíblia” e João Calvino, escrevendo em 1557, afirma que os Salmos são “a anatomia de todas as partes da alma”.

Em Lendo os Salmos, somos guiados por C. S. Lewis e envolvidos pela sabedoria e mistério, pela poesia e significado dos textos bíblicos aplicados à vida diária.

Ficha Técnica
Lendo os Salmos
Autor: C.S. Lewis
Editora: Editora Ultimato
Pág: 160
Ano: 2015
ISBN: 9788577791415

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IMG_20160131_131329Alessandra Correa,  chegando aos 30, é apaixonada por sobrinhos, livros, Londres, música, séries e chocolate. Sempre com um livro em mãos, adora falar sobre aqueles que marcaram sua vida. E tem como paixão e dom transformar palavras em histórias e poesias, algumas divulgadas aqui: www.momentoempalavra.blogspot.com
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Simplesmente Acontece

Hi, people! O livro de hoje é Simplesmente Acontece, de Cecelia Ahern. Apesar de ter sofrido ao acompanhar a história de Rosie e Alex, gostei bastante.
Até porque na vida real também não existe nada fácil!

Ah, essas histórias que levam tempo para que os personagens tenham direito ao seu “felizes para sempre”. Definitivamente, elas acabam comigo! Fico angustiada, ansiosa, querendo logo chegar às páginas do encontro, do acerto, da reconciliação. E com aquele medinho de que existe a possibilidade de acontecer o pior: o final chegar e nada ter sido acertado!

Com Simplesmente Acontece, de Cecelia Ahern, o sofrimento foi assim. Mas posso dizer que apesar de ter demorado muito (mesmo!), graças a Deus no fim, tudo ficou bem.

O livro conta a história de Rosie e Alex, que são melhores amigos desde crianças, e ao chegarem a adolescência se vêem apaixonados. Mas nada poderia ser tão simples, né?

O que precisa ser dito, é calado. O que poderia ser vivido, é apenas imaginado.

Talvez tenha sido o medo de arriscar algo que já era tão valioso. Talvez se conhecessem tão bem que acharam que estivessem muito claro os sentimentos. A questão é que eles acabaram não compartilhando o que sentiam (gente, pelo amor, nunca deduza que o outro sabe o que você sente). Com isso, os maus entendidos se tornam inevitáveis. As imprevisibilidades acontecem. As mágoas surgem. E eles acabam seguindo caminhos opostos, separados. Inclusive, se relacionando com outras pessoas.

Mas apesar de tudo, eles se esforçam em manter a amizade, sendo ancoras, porto seguro, confidentes, referência de quem foram um dia e guia para o que estão se tornando.

Nem sei aonde quero chegar com este email, Alex, mas andei pensando em muitas coisas nos últimos tempos e minha cabeça está bastante confusa. A nossa vida é feita de tempo. Nossos dias são mensurados pelas horas, nosso salário é mensurado por essas horas, o nosso conhecimento é mensurado pelos anos. Agarramos uns minutinhos do nosso dia sempre ocupado pra fazer uma pausa pro café. Voltamos correndo pra nossa mesa de trabalho, olhamos pro relógio, vivemos em função dos compromissos. Mesmo assim, quando esse tempo enfim acaba, bem lá no fundo você se pergunta se esses segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos e décadas foram gastos da melhor maneira possível. Tudo está girando ao nosso redor — o emprego, a família, os amigos, o parceiro ou parceira… Tudo o que você sente é aquela vontade de gritar: “PARE!”, olhar à sua volta, reorganizar a ordem de algumas coisas e aí seguir adiante. Acho que provavelmente você entende o que estou dizendo. Sei que você está passando por uma fase muito difícil agora. Por favor, lembre-se de que estou aqui sempre que precisar.
Com carinho, Rosie

E uma vez ou outra, voltam a sentir aquelas cóceguinhas do “poderia ter sido diferente”. Quando isso acontece, eles até tentam resolver essa questão, mas nunca conseguem. E a vida vai acontecendo…

Gostei muito da história, porque não é apenas de como Rosie e Alex se afastaram do amor. Mas de como se afastaram de seus sonhos, de quem queriam ser. E é belo vê-los reconhecendo isso e tentando voltar para o caminho que os fará felizes.

E na vida também é assim. Nos perdemos. Nos distraímos. Nos desviamos. Somos surpreendidos com situações que não estão em nosso controle. Mas como costumo dizer, enquanto houver vida, há esperança! Ainda há tempo de retomar a história, viver o que queremos, correr atrás dos nosso sonhos e do amor, se for esse o caso.

Por que deixamos de acreditar em nós mesmos?
Por que permitimos que os acontecimentos ou os números
ou 
qualquer outra coisa além dos nossos sonhos governem a nossa vida?

SinopseOs-livros-que-vivi-Simplesmente-Acontece
O que acontece quando duas pessoas que foram feitas uma para outra simplesmente não conseguem ficar juntas?

Todo mundo acha que Rosie e Alex nasceram para ser um casal.

Todo mundo menos eles mesmos. Grandes amigos desde criança, eles se separaram na adolescência, quando Alex se mudou com sua família para os Estados Unidos.

Os dois não conseguiram mais se encontrar, mas, através dos anos, a amizade foi mantida através de emails e cartas. Mesmo sofrendo com a distância, os dois aprenderam a viver um sem o outro.

Só que o destino gosta de se divertir, e já mostrou que a história deles não termina assim, de maneira tão simples.

Ficha Técnica
Simplesmente Acontece
Autora: Cecelia Ahern
Ano: 2015
Editora: Novo Conceito
Pág: 448
ISBN: 9788581636696

>>>O livro tem uma forma bem interessante de contar a história. Por meio de bilhetinhos, cartas, torpedos, emails, vamos acompanhando a trajetória de Rosie e Alex. Gostei bastante! <<<

>>>O livro virou filme, e como sabemos, dificilmente o filme seguirá fielmente o livro. Nessa situação, eu fiquei feliz. Porque no livro o caminho para Rosie e Alex, finalmente, ficarem juntos, demorou muito, mas muito mais tempo. Deu até uma deprê!<<<

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IMG_20160131_131329Alessandra Correa,  chegando aos 30, é apaixonada por sobrinhos, livros, Londres, música, séries e chocolate. Sempre com um livro em mãos, adora falar sobre aqueles que marcaram sua vida. E tem como paixão e dom transformar palavras em histórias e poesias, algumas divulgadas aqui: www.momentoempalavra.blogspot.com

 

 

O Silêncio das Montanhas

Hi, people! Hoje vou falar sobre O Silêncio das Montanhas, de Khaled Hosseini, o autor aclamado dos livros “O caçador de pipas” e “Cidade do Sol”. 

Li O Silêncio das Montanhas, de Khaled Hosseini, recentemente. E que bom que foi assim. Ano passado, durante um intercâmbio, fiz amigos árabes, e o contato com a cultura me acrescentou tanto, que ao ler o livro, sei que pude aproveitá-lo ainda mais.

A história inicia-se em Cabul, Afeganistão, apresentando-nos os irmãos, ainda crianças, Abdullah e Pari. Eles são apegados como todos irmãos deveriam ser: brincam juntos, se defendem, brigam, cuidam um do outro.

São criados com muita dificuldade pelo pai, um homem simples, amoroso, que apenas deseja cuidar bem de sua família. E pensando justamente no bem de sua família, Saboor toma uma difícil e incompreensível decisão: entrega a pequena Pari à rica e glamourosa  Nila Wahdatir, uma poeta que tem grandes sofrimentos escondidos na alma, e que não se enquadra no meio em que vive.

É  de cortar o coração ver os irmãos, que sempre foram tudo um para o outro, sendo separados de forma tão cruel.

“A mão de Pari, dentro da carrocinha, logo pegou a de Abdullah. Ficou olhando para ele, com os olhos lacrimejando, sorrindo com seus dentes separados como se nada de ruim pudesse acontecer com ela se o irmão estivesse ao seu lado. Abdullah enlaçou os dedos da mão dela, como fazia todas as noites quando dormia com a irmã na mesma cama, as cabeças se tocando, as pernas entrelaçadas”.

Um caminho sem volta, trazendo impactos na vida de todos, de forma irreversível.

“Às vezes, em momentos de fraqueza, Abdullah flagrava o rosto do pai se anuviando, mesclando tonalidades confusas de emoção. O pai parecia menor para ele agora, como se tivesse perdido alguma coisa essencial”.

A partir daí, acompanhamos a história dos irmãos ao longo de 60 anos. Vemos eles crescendo, construindo suas próprias famílias, mas com um buraco enorme no coração que não esquecem. E suas vidas são direcionadas à busca de se reencontrarem.

Muitos personagens vão surgindo na história, em cidades e países diferentes, ajudando a construir o enredo. E cada um, com sua personalidade, dramas, dores e sonhos, torna a história ainda mais bonita. O ruim é que nesse entra e sai de personagens, quando você está se afeiçoando a um, querendo mais, ele cumpre seu papel e se vai.

E não é assim na vida? As pessoas aparecem para cumprir um pedaço na nossa história, e depois partem. Mas o tempo em que estiveram conosco – não importa se por algumas horas, por alguns dias ou por muitos anos – foi o que nos fez ser quem somos hoje, chegar aonde chegamos. Elas contribuíram em nossa missão, mas muitas vezes sequer percebemos.

Tantas histórias juntas, tecidas pelo talentoso, detalhista e sensível Khaled não poderiam dar um resultado diferente: O Silêncio das Montanhas é um livro emocionante, que traz beleza e também indignação contra as injustiças, o preconceito, o egoísmo, o abuso do mais forte sobre o mais fraco.

“Dizem que a gente deve encontrar um propósito na vida e viver este propósito. Mas, às vezes, só depois de termos vivido reconhecemos que a vida teve um propósito, e talvez um que nunca se teve em mente.”

 

Sinopse
Dez anos depois do aclamado “O caçador de pipas”, O-silencio-das-montanhaso escritor afegão Khaled Hosseini volta à cena literária com “O silêncio das montanhas”. O romance traz como protagonistas os irmãos Pari e Abdullah, que moram em uma aldeia distante de Cabul, são órfãos de mãe e têm uma forte ligação desde pequenos. Assim como a fábula que abre o livro, as crianças são separadas, marcando o destino de vários personagens. Paralelamente à trama principal, Hosseini narra a história de diversas pessoas que, de alguma forma, se relacionam com os irmãos e sua família, sobre como cuidam uns dos outros e a forma como as escolhas que fazem ressoam através de gerações. Assim como em O caçador de pipas, o autor explora as maneiras como os membros sacrificam-se uns pelos outros, e muitas vezes são surpreendidos pelas ações de pessoas próximas nos momentos mais importantes. Segundo o próprio Hosseini, o novo título “fala não somente sobre a minha própria experiência como alguém que viveu no exílio, mas também sobre a experiência de pessoas que eu conheci, especialmente os refugiados que voltaram ao Afeganistão e sobre cujas vidas tentei falar tanto como escritor quanto como representante da Organização das Nações Unidas. Espero que os leitores consigam amar os personagens de “O silêncio das montanhas” tanto quanto eu os amo”. Seguindo os personagens, mediante suas escolhas e amores pelo mundo – de Cabul a Paris, de São Francisco à Grécia –, a história se expande, tornando-se emocionante, complexa e poderosa. É um livro sobre vidas partidas, inocências perdidas e sobre o amor em uma família que tenta se reencontrar.

Ficha Técnica
O Silêncio das Montanhas
Autor: Khaled Hosseini
Editora: Globo Editora
Pág: 352
Ano: 2013
ISBN: 9788525054081

>>> Sobre os muitos personagens que passam por essa história, gostei da apresentação feita por Rê Sanches, divulgada aqui, e por isso, tomei a liberdade de aproveitá-la:

Tio Nabi: motorista que, sem perceber, conquista o coração de seu patrão, em uma época e um país onde a homossexualidade é algo que se leva para o túmulo, em cruel silêncio.

Nila Wahdati: encurralada pela sua condição multirracial e multicultural, filha de um afegão com uma francesa, que deságua na bipolaridade, com consequências irreversíveis.

Idris e Timur: primos que como tantos outros na década de 80, fogem de Cabul e sua guerra sem fim, para os Estados Unidos.

Adel: um garoto que está prestes a descobrir que o pai é um líder terrorista que mantém, a sangue e a bala, o equilíbrio da antiga aldeia.

Makhos: um médico grego de uma ONG humanitária, responsável, nos anos 2000, pelo desfecho de tudo.

Parwana e Masooma: irmãs nascidas e criadas na miséria de vida para a qual as meninas desde sempre estiveram destinadas, e que são  o gatilho para a trama,  que dura 60 anos. <<<

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IMG_20160131_131329Alessandra Correa,  chegando aos 30, é apaixonada por sobrinhos, livros, Londres, música, séries e chocolate. Sempre com um livro em mãos, adora falar sobre aqueles que marcaram sua vida. E tem como paixão e dom transformar palavras em histórias e poesias, algumas divulgadas aqui: www.momentoempalavra.blogspot.com