Os Deuses Vencidos

Hi, people! Hoje vou falar de um livro que para quem gosta de temas bélicos, assim como eu, vai curtir muito. Trata-se de Deuses Vencidos, de Irwin Shaw. Recomendo!

Eu tinha 18 anos quando li Os Deuses Vencidos, de Irwin Shaw. Muitas cenas ficaram na minha cabeça por longos dias (ah, os horrores da guerra. ah, as esperanças dos homens). Mas uma, em especial, ficou gravada por anos: a última página. Posso ver a cena de quando eu finalizei o livro. Estava sentada num fusca amarelo, indo visitar uma tia (que já não posso visitar), quando li essa última página. Lembro do quanto chorei e do quando desejei que o final não fosse aquele. E no meu coração, acabou não sendo. Consegui criar uma “história” que revertesse aquele fim.

Passaram-se 10 anos e numa fase livre (digo: desempregada), voltei à Biblioteca que eu frequentava quando menina. E não é que vi o livro na prateleira do “Pode levar”? Fiquei super feliz e logo estava adentrando novamente nessa história.

Quem tem o costume de reler livro sabe que cada vez é uma leitura diferente. Mas quando essa releitura acontece depois de 10 anos… quanta diferença. Em 10 anos, eu cresci, vivi sonhos, perdi medos, conheci pessoas. E  tudo isso contribuíram para uma nova eu. Assim, as palavras já lidas desse livro foram como novas, tiveram outro impacto sobre mim.

Os Deuses Vencidos conta a história de 3 homens, em lugares distintos, com vidas totalmente diferentes, mas vivendo sob um mesmo drama: a 2ª Guerra Mundial. Ora como testemunhas e ora como protagonistas dessa guerra, suas vidas vão se entrelaçando, até se cruzarem.

Na vida, gosto de pensar assim, que estamos mais ligados do que poderíamos sequer imaginar. Que nossas ações ecoam na vida de outras pessoas, não importa o tempo que leve. Pensar dessa forma me dá um senso de responsabilidade. E me deixa maravilhada, pois vejo como as coisas se orquestram, como fazemos parte de um mesmo quebra-cabeça, todos personagens de um grande (e complexo) roteiro.

A história inicia-se apresentando Christian Diestl,  levando sua vida pacata de instrutor de esqui na Áustria, com expectativas de que a guerra possa reerguer seu povo, trazendo a prosperidade e dignidade de volta. Ele se alista (Eixo), confiando na guerra como única solução e saída. Mas logo vemos sua insatisfação, seu desejo de mudar, de entender o porquê de cada tarefa, numa guerra que já não lhe faz mais sentido. Sua humanidade vai se tornando cada vez mais forte do que sua posição militar.

“Somos uma nação de mendigos. Sete milhões de pessoas sem futuro, à mercê de todos… Um povo não pode viver eternamente humilhado. É capaz de qualquer coisa para recuperar o respeito próprio”.

O próximo personagem que conhecemos é Michael Whitacre, diretor de cena em Nova York. Sua aparência de sucesso já não corresponde mais à realidade, e vemos sua frustração com o fracasso financeiro e profissional. Ele não sente vontade alguma de se alistar, de levantar bandeira, de dar sua vida por uma causa que pouco entende. Mas acaba sendo convocado, e vemos sua jornada nessa guerra, que consiste em sobreviver e encontrar uma razão para isso.

“Captou um relance de si mesmo numa vitrina mal iluminada. Seu reflexo era vago e irreal, mas, como sempre, aborreceu-se com o que viu… Permanecera gordo, encharcado de álcool, preso a um excesso de compromissos, a uma mulher que era praticamente estranha… A menos que quisesse ser arrastado à janela, precisava tomar uma providência”.

E por fim, Noah Ackerman (o meu personagem preferido). Ele é um judeu que mora nos Estados Unidos desde pequeno. Sua vida de menino foi desordenada, abandonado às vezes, deixado com parentes em outras, mas sempre só e perseguido. Ele torna-se um rapaz tímido, e continua sozinho pela vida. Mas sua sorte muda quando faz um bom amigo, e por meio dele, conhece uma garota: paixão à primeira vista! Ele é correspondido e vemos sua vida fluindo feliz e apaixonada, quando então é convocado para combater. Que tristeza vê-lo partir, deixando seu amor para trás! Seus desafios começam em base, onde sofre preconceitos e agressões devido sua nacionalidade. Mas podemos vê-lo proteger seu coração a todo custo, mantendo a bondade e a luz que nele habitam.

“Era difícil crer que houvera tempo em que não conheces Roger, em que vagueava pelas ruas da cidade sem dirigir a palavra a ninguém, uma época em que não tivera nenhum amigo, nem homem, nem mulher, que olhasse para ele com afeto, onde rua alguma era a sua, e hora nenhuma era mais atraente do que outra”.

As vidas de Michael e Noah se cruzam primeiro, pois acabam fazendo parte do no mesmo pelotão (Aliados), e eles tornam-se bons amigos. Uma amizade que protege e conforta seus corações aflitos.

“- É preciso ter amigos – afirmou Noah com violência. – Não se pode permitir que nos mandem para qualquer lugar onde não haja ninguém para nos proteger…
– Sim – concordou Michael, brandamente, estendendo a mão para tocar o braço magro do rapaz. – Irei com você.
Mas não disse que iria por sentir que era ele quem precisava de amigos”.

Durante a jornada dos 3 personagens, vamos presenciando os horrores da guerra, e os lampejos de esperança, comum a todos. Ao terminar a leitura desse livro, apenas pude concluir que não há americano, judeu ou alemão. Há apenas (ou sobre tudo) seres humanos. Cada um com seus dramas, sonhos, desejos, medos e erros. Numa guerra todos sofrem, todo são perdedores e é difícil reconhecer os tais heróis e vilões. Todos eles apenas querem voltar para suas casas, ficar junto de suas famílias e viver os seus sonhos. E não é o que também queremos?

Sinopse
O horror da guerra não tem nacionalidade. Nova York ou Paris, Londres ou Berlim… em todas as cidades o desespero e a angústia são os mesmos.OsDeusesVencidos (2)
Christian Diestl, Michael Whitacre, Noah Ackerman, três destinos confundidos no turbilhão dos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial. Três vidas paralelas, com suas esperanças, seus amores, seus fracassos. Três testemunhas de uma guerra cruel, na qual se revelam todos os sentimentos dos homens: o heroísmo, a miséria, a piedade, a mesquinhez e a grandeza. Eles convivem com a morte e com as ilusões que não deixam morrer; eles vivem como se cada instante fosse o último.
Um romance realista, que descreve a brutalidade da guerra até nos seus detalhes mais violentos. Um verdadeiro libelo contra os horrores do maior conflito bélico do século XX, escrito por Irwin Shaw.

Ficha Técnica
Os Deuses Vencidos
Autor: Irwin Shaw
Ano: 1987
Editora: Nova Cultura
Pág: 546

>>> Esse livro poderá ser garimpado em Sebos, ou em Bibliotecas Públicas<<<

>>> O livro também virou filme (1958) e se tornou um clássico de grande prestígio. Tem a direção de Edward Dmytryk, e no elenco, estrelas como Dean Martin, Marlon Brando e Montgomery Clift. Ah, e um final diferente do livro<<<

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IMG_20160131_131329Alessandra Correa,  chegando aos 30, é apaixonada por sobrinhos, livros, Londres, música, séries e chocolate. Sempre com um livro em mãos, adora falar sobre aqueles que marcaram sua vida. E tem como paixão e dom transformar palavras em histórias e poesias, algumas divulgadas aqui: www.momentoempalavra.blogspot.com
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