Arquivo | março 2016

Os Deuses Vencidos

Hi, people! Hoje vou falar de um livro que para quem gosta de temas bélicos, assim como eu, vai curtir muito. Trata-se de Deuses Vencidos, de Irwin Shaw. Recomendo!

Eu tinha 18 anos quando li Os Deuses Vencidos, de Irwin Shaw. Muitas cenas ficaram na minha cabeça por longos dias (ah, os horrores da guerra. ah, as esperanças dos homens). Mas uma, em especial, ficou gravada por anos: a última página. Posso ver a cena de quando eu finalizei o livro. Estava sentada num fusca amarelo, indo visitar uma tia (que já não posso visitar), quando li essa última página. Lembro do quanto chorei e do quando desejei que o final não fosse aquele. E no meu coração, acabou não sendo. Consegui criar uma “história” que revertesse aquele fim.

Passaram-se 10 anos e numa fase livre (digo: desempregada), voltei à Biblioteca que eu frequentava quando menina. E não é que vi o livro na prateleira do “Pode levar”? Fiquei super feliz e logo estava adentrando novamente nessa história.

Quem tem o costume de reler livro sabe que cada vez é uma leitura diferente. Mas quando essa releitura acontece depois de 10 anos… quanta diferença. Em 10 anos, eu cresci, vivi sonhos, perdi medos, conheci pessoas. E  tudo isso contribuíram para uma nova eu. Assim, as palavras já lidas desse livro foram como novas, tiveram outro impacto sobre mim.

Os Deuses Vencidos conta a história de 3 homens, em lugares distintos, com vidas totalmente diferentes, mas vivendo sob um mesmo drama: a 2ª Guerra Mundial. Ora como testemunhas e ora como protagonistas dessa guerra, suas vidas vão se entrelaçando, até se cruzarem.

Na vida, gosto de pensar assim, que estamos mais ligados do que poderíamos sequer imaginar. Que nossas ações ecoam na vida de outras pessoas, não importa o tempo que leve. Pensar dessa forma me dá um senso de responsabilidade. E me deixa maravilhada, pois vejo como as coisas se orquestram, como fazemos parte de um mesmo quebra-cabeça, todos personagens de um grande (e complexo) roteiro.

A história inicia-se apresentando Christian Diestl,  levando sua vida pacata de instrutor de esqui na Áustria, com expectativas de que a guerra possa reerguer seu povo, trazendo a prosperidade e dignidade de volta. Ele se alista (Eixo), confiando na guerra como única solução e saída. Mas logo vemos sua insatisfação, seu desejo de mudar, de entender o porquê de cada tarefa, numa guerra que já não lhe faz mais sentido. Sua humanidade vai se tornando cada vez mais forte do que sua posição militar.

“Somos uma nação de mendigos. Sete milhões de pessoas sem futuro, à mercê de todos… Um povo não pode viver eternamente humilhado. É capaz de qualquer coisa para recuperar o respeito próprio”.

O próximo personagem que conhecemos é Michael Whitacre, diretor de cena em Nova York. Sua aparência de sucesso já não corresponde mais à realidade, e vemos sua frustração com o fracasso financeiro e profissional. Ele não sente vontade alguma de se alistar, de levantar bandeira, de dar sua vida por uma causa que pouco entende. Mas acaba sendo convocado, e vemos sua jornada nessa guerra, que consiste em sobreviver e encontrar uma razão para isso.

“Captou um relance de si mesmo numa vitrina mal iluminada. Seu reflexo era vago e irreal, mas, como sempre, aborreceu-se com o que viu… Permanecera gordo, encharcado de álcool, preso a um excesso de compromissos, a uma mulher que era praticamente estranha… A menos que quisesse ser arrastado à janela, precisava tomar uma providência”.

E por fim, Noah Ackerman (o meu personagem preferido). Ele é um judeu que mora nos Estados Unidos desde pequeno. Sua vida de menino foi desordenada, abandonado às vezes, deixado com parentes em outras, mas sempre só e perseguido. Ele torna-se um rapaz tímido, e continua sozinho pela vida. Mas sua sorte muda quando faz um bom amigo, e por meio dele, conhece uma garota: paixão à primeira vista! Ele é correspondido e vemos sua vida fluindo feliz e apaixonada, quando então é convocado para combater. Que tristeza vê-lo partir, deixando seu amor para trás! Seus desafios começam em base, onde sofre preconceitos e agressões devido sua nacionalidade. Mas podemos vê-lo proteger seu coração a todo custo, mantendo a bondade e a luz que nele habitam.

“Era difícil crer que houvera tempo em que não conheces Roger, em que vagueava pelas ruas da cidade sem dirigir a palavra a ninguém, uma época em que não tivera nenhum amigo, nem homem, nem mulher, que olhasse para ele com afeto, onde rua alguma era a sua, e hora nenhuma era mais atraente do que outra”.

As vidas de Michael e Noah se cruzam primeiro, pois acabam fazendo parte do no mesmo pelotão (Aliados), e eles tornam-se bons amigos. Uma amizade que protege e conforta seus corações aflitos.

“- É preciso ter amigos – afirmou Noah com violência. – Não se pode permitir que nos mandem para qualquer lugar onde não haja ninguém para nos proteger…
– Sim – concordou Michael, brandamente, estendendo a mão para tocar o braço magro do rapaz. – Irei com você.
Mas não disse que iria por sentir que era ele quem precisava de amigos”.

Durante a jornada dos 3 personagens, vamos presenciando os horrores da guerra, e os lampejos de esperança, comum a todos. Ao terminar a leitura desse livro, apenas pude concluir que não há americano, judeu ou alemão. Há apenas (ou sobre tudo) seres humanos. Cada um com seus dramas, sonhos, desejos, medos e erros. Numa guerra todos sofrem, todo são perdedores e é difícil reconhecer os tais heróis e vilões. Todos eles apenas querem voltar para suas casas, ficar junto de suas famílias e viver os seus sonhos. E não é o que também queremos?

Sinopse
O horror da guerra não tem nacionalidade. Nova York ou Paris, Londres ou Berlim… em todas as cidades o desespero e a angústia são os mesmos.OsDeusesVencidos (2)
Christian Diestl, Michael Whitacre, Noah Ackerman, três destinos confundidos no turbilhão dos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial. Três vidas paralelas, com suas esperanças, seus amores, seus fracassos. Três testemunhas de uma guerra cruel, na qual se revelam todos os sentimentos dos homens: o heroísmo, a miséria, a piedade, a mesquinhez e a grandeza. Eles convivem com a morte e com as ilusões que não deixam morrer; eles vivem como se cada instante fosse o último.
Um romance realista, que descreve a brutalidade da guerra até nos seus detalhes mais violentos. Um verdadeiro libelo contra os horrores do maior conflito bélico do século XX, escrito por Irwin Shaw.

Ficha Técnica
Os Deuses Vencidos
Autor: Irwin Shaw
Ano: 1987
Editora: Nova Cultura
Pág: 546

>>> Esse livro poderá ser garimpado em Sebos, ou em Bibliotecas Públicas<<<

>>> O livro também virou filme (1958) e se tornou um clássico de grande prestígio. Tem a direção de Edward Dmytryk, e no elenco, estrelas como Dean Martin, Marlon Brando e Montgomery Clift. Ah, e um final diferente do livro<<<

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IMG_20160131_131329Alessandra Correa,  chegando aos 30, é apaixonada por sobrinhos, livros, Londres, música, séries e chocolate. Sempre com um livro em mãos, adora falar sobre aqueles que marcaram sua vida. E tem como paixão e dom transformar palavras em histórias e poesias, algumas divulgadas aqui: www.momentoempalavra.blogspot.com

Derrubando Golias

Hey pessoal, tudo bem?

Para a minha primeira postagem aqui, escolhi o último livro que li: Derrubando Golias, do Max Lucado.

Já faz algum tempo que conheço o autor Max Lucado, e não tem um livro dele até agora que eu tenha lido e não gostado. Para quem não conhece o tio Max, ele é um escritor norte-americano, pastor, e morou no Brasil durante 5 anos como missionário, e foi no Rio de Janeiro que ele descobriu a sua paixão pela escrita.

Derrubando Golias narra vários episódios da vida de Davi, o pastorzinho de ovelhas que mais tarde se tornou rei de Israel, e um dos personagens mais conhecidos da Bíblia.

Entre os altos e baixos da vida de Davi, Max conta de outros personagens bíblicos que passaram por situações parecidas e que também precisaram derrotar seu Golias. É muito provável que você se identifique com alguma situação ou com algum “Golias”.

Um dos principais pontos do livro é como o relacionamento com Deus influenciava na vida de Davi, e nas escolhas que ele fazia.

“Concentre-se nos gigantes – você tropeçará.
Concentre-se em Deus – seus gigantes cairão.”

Davi venceu muitos gigantes ao longo de sua vida, e Max nos mostra que assim como ele, também podemos vencer o nosso Golias, não importa o tamanho desse nosso “gigante”, seja um casamento arruinado, uma doença, medo, desemprego, pecados, decepções. O mesmo Deus que ajudou Davi em suas batalhas está vivo, e nos ajuda agora.

Houve outras batalhas, as quais Davi errou e perdeu, foram tempos de luto, tristeza e arrependimento. Não é assim também conosco? E Max nos mostra que dessas vezes Davi se refugiava ainda mais em Deus, onde encontrava consolo e se preparava para a próxima batalha.

“O poder que transformou os gigantes de Davi em pigmeus faz o mesmo com você. Você pode encarar seus gigantes! Por quê? Porque você, antes, se deparou com Deus.”

Espero que tenham gostado da dica de hoje e do meu primeiro post!

Beijos

 

Sinopse
Esta obra é baseada na história de Davi e Golias, Derrubando-Goliasquando o jovem hebreu venceu o gigante filisteu em uma batalha. Apesar de distante, este relato bíblico tem muito a ensinar. Afinal, todos têm um Golias em suas vidas e o conhecem muito bem. Ele provoca com contas que não se pode pagar, pessoas que não se consegue agradar, hábitos que nunca são deixados, fracassos que não são esquecidos e um futuro sempre evitado.

Mas, assim como Davi, qualquer um pode derrubar seu gigante. Para aqueles que já experimentaram a presença de um Golias, a mensagem do livro é clara: Todos temos um gigante que assombra nossa vida. Mas se Davi derrubou Golias, você também pode derrotar seu gigante – por maior que ele seja.

 

Ficha Técnica
Derrubando Golias

Autor: Max Lucado
Editora: Thomas Nelson Inc
Pag: 216
Ano: 2007
ISBN: 8560303022

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5511965219734Alaisa Correa,  quase 21. Estudante de Rádio, TV e Internet, é apaixonada (e muito talentosa) em fazer roteiros. Adora escrever, brincar com a gatilha Charlotte, pirraçar os sobrinhos e assistir séries.  Sempre que consegue um tempo de descanso, busca um livro na prateleira. Seus preferidos são aqueles que fazem brilhar ainda mais seu relacionamento com o Pai.

 

 

[top 5] Os bichanos personagens mais queridos

Hi,people! Em vez em quando, me deparo com um bichano fofo e cheio de personalidade nos livros. Mais do que espaço e voz, eles ganham o coração. Como não se apaixonar? Apresento a vocês os meus 5 bichanos personagens mais queridos!

1. ASLAM, de Crônicas de Nárnia

O topo da lista não poderia ter um personagem mais digno. Vou considerá-lo aqui como “bichano” mas no coração ele é muito mais do que isso… é um verdadeiro Rei. Ele é amoroso, é sábio, é guia, é gentil, é poderoso. Quem não gostaria de se aconchegar naquela juba?

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“Em seu mundo eu tenho outro Nome. Devem aprender a me reconhecer nele”

2. RICHARD PARKER, de As Aventuras de Pi

O segundo personagem escolhido para essa lista também é um felino. Sem entrar no mérito se Richard Parker é real ou uma metáfora, ele inspira admiração. A cada página, vamos respeitando seu espaço, confiando em sua presença, gostando de sua companhia. Ele deu razão para Pi não desistir.

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“Richard Parker ficou comigo. Nunca o esqueci. Será que posso dizer que sinto saudade dele? Pois sinto. Sinto mesmo. Até hoje sonho com ele. Na maior parte das vezes, são pesadelos, mas pesadelos com um toquezinho de amor. Como é estranho o coração humano…”

3. SINGER, de O Guardião

Julie, que sofre a perda recente do marido, ganha de natal um presente bem especial: um filhote dinamarquês. Singer é protetor, desconfiado, amigo e bem bagunceiro. Ele tem um “sexto sentido” sobre os homens que se aproximam de sua dona. É o típico irmão mais velho ciumento, sabe? Os momentos finais do livros nos fazem querer pular na história para estar com Singer.

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“Por um momento, o cão parou de ganir e olhou para ela, sustentando seu olhar. Então, começou a ganir de novo, embora dessa vez não tão assustado. – Singer. – sussurrou ela. – Acho que vou chamá-lo de Singer”.

4. BALEIA, de Vidas Secas 

Ah, cadela Baleia. Chorei ao ver Fabiano decidindo aliviar o sofrimento da cadelinha (causado por uma miserável fome!), já que não poderia aliviar sua própria dor e a de sua família. Quanta agonia no fim dessa fiel companheira. Por honra, merece destaque nessa lista.

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“Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes”.

 

5. MOUSCHI, de O Diário de Anne Frank

Esse morador peludo (e real) do Anexo é o gatinho de Peter (amigo e amor de Anne Frank), mas que acabou sendo “adotado” por todos do Anexo. Ele é carinhoso e bagunceiro. Ele expulsa os ratos e convida as pulgas. Mouschi é citado poucas vezes nos relatos de Anne Frank, e quando acontece, está aninhado em alguém ou aprontando algumas de suas artes. Mas eu posso imaginar sua importância na vida dos moradores do Anexo. Posso imaginá-lo sendo confidente. E por conseguir vê-lo trazer um pouco (ou até muito) conforto e alegria para todos ali, naquele ambiente de medo e apreensão, ele mais do que merece lugar nessa lista.
Ps.: A imagem abaixo é do livro Mouschi, o Gato de Anne Frank, do José Jorge Letria.

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“Margot e eu estamos fraternalmente unidas por Mouschi, que dorme estirado sobre nossos joelhos”.

 

E você?! Qual bichano gostaria de tirar dos livros e trazer direto para casa?!

Livros citados
Crônicas de Nárnia: C.S. Lewis
As Aventuras de Pi: Yann Martel
O Guardião: Nicholas Sparks
Vidas Secas: Graciliano Ramos
O Diário de Anne Frank: Otto H. Frank e Mirjam Pressler

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IMG_20160131_131329Alessandra Correa,  chegando aos 30, é apaixonada por sobrinhos, livros, Londres, música, séries e chocolate. Sempre com um livro em mãos, adora falar sobre aqueles que marcaram sua vida. E tem como paixão e dom transformar palavras em histórias e poesias, algumas divulgadas aqui: www.momentoempalavra.blogspot.com